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sábado, 14 de dezembro de 2013

Santa Helena


 Flavia Júlia Helena, mais tarde Santa Helena, nasceu na Britynia, Ásia Menor, por volta do século III, no seio de uma família plebeia. Constancius I Chlorus, tribuno e general romano, apaixonou-se e casou-se com ela pelos idos de 270. Tiveram um filho a quem deram o nome de Constantino. Por ordem do imperador Diocleciano, Helena foi repudiada pelo marido, uma vez que a lei romana não reconhecia o matrimónio celebrado entre um patrício e uma plebeia. Sendo considerada concubina, quando Constancius I Chlorus recebeu o título de Augusto, foi obrigado a abandoná-la, partindo para Roma com o filho, nascido em 285.
Após a morte do pai, em 306,  foi aclamado Augusto/César, tornando-se no imperador Constantino.
Helena saiu da situação dos últimos treze anos e, para além de Mulher Nobilíssima, recebeu em 324 o título de Augusta. Adquiriu poder e ajudou a financiar a construção da nova capital do império, Constantinopla.
Converteu-se ao cristianismo e foi responsável pela conversão do filho, que em 313 tinha mandado publicar o Édito de Milão, segundo o qual o cristianismo era tolerado como qualquer outra religião. Foi o primeiro passo para que, anos mais tarde, outro imperador, Teodósio, considerasse o cristianismo como religião oficial do Império Romano.
O grande fervor e fé religiosos de Helena traduziram-se em grandes obras de beneficência e na construção de várias templos e igrejas em Roma e na Terra Santa,  como a da Natividade em Belém e o Santo Sepulcro em Jerusalém, …
Já em idade avançada, talvez na última peregrinação à Terra Santa, terá tido visões, que a ajudaram a descobrir a cruz na qual Jesus foi crucificado. Reza a lenda que reencontrou o túmulo de Cristo escavado na rocha e, pouco distante, a cruz do Senhor e as duas cruzes dos ladrões. Levada pelo entusiasmo desse primeiro sucesso, continuou a procura, encontrando a gruta do nascimento de Jesus em Belém e o lugar no Monte das Oliveiras.
0 reencontro com a cruz, onde Cristo foi crucificado (Vera Cruz ou Cruz Verdadeira), aconteceu em 326 / 337 (??). Terá sido descoberta no Gólgota , produzindo grande emoção em toda cristandade. Em 337 foi confirmado ser mesmo a cruz, tendo Helena sido identificada pela tradição com esta descoberta em finais do século IV.
Helena faleceu em Constantinopla, pouco tempo depois de ter regressado desta peregrinação. Os seus restos mortais encontram-se num sarcófago no Museu do Vaticano. Na liturgia da igreja, Santa Helena é mostrada como uma imperatriz, segurando uma cruz.

Este vídeo é mais elucidativo sobre alguém com uma vida tão variada e em empreendimentos, decisões, milagres…

Santa Helena é um alfobre de lendas. Provavelmente, um pouco de verdade existe em algumas delas!!!   Para o Cristianismo e a sua divulgação, pouca importância terá distinguir a realidade da ficção!

domingo, 17 de novembro de 2013

A bela Helena de Troia

Em jeito de rodapé


1. Obras seguidas

Embora outras obras existam, a Ilíada e a Odisseia, de Homero, foram as nossas eleitas. 
A Ilíada decorre durante o nono ano da guerra de Troia e aborda, por exemplo, a ira de Aquiles, provocada por uma disputa com Agamémnon, seguida do duelo com Hector, acabando este por morrer. 
http://www.openlettersmonthly.com/book-review-the-Iliad


A Odisseia é, em parte, uma sequência da ilíada, e relata o regresso do seu protagonista, Odisseus (Ulisses na mitologia romana). 

http://www.ipm.com.br/ste/defaultasp?TroncoID=805133&SecaoID=816261Subsecao&Template=/artigosnoticias/user_exibir.aspID=261919

É a vida de um herói que inventa uma infinidade de estratagemas para conseguir destruir Troia, para sobreviver quando, depois, vagueia erraticamente pelo mundo, onde descobre novas cidades e novos costumes, para, finalmente, sobreviver no mar aos mil tormentos por que passa no seu regresso a casa. Curiosamente, ou talvez não, também decorrem dez anos até chegar a Ítaca, sua terra natal.
Ambas as epopeias viajaram ao longo dos séculos por tradição oral, tendo provavelmente sido passadas a escrito no séc. VIII a.C..


2. Poema de Odisseus a seu filhoTelémaco

Meu querido Telémaco,
A Guerra de Troia já findou.
Não recordo quem a venceu.
Os Gregos, sem dúvida, só eles deixariam
tantos mortos longe da pátria.
Mas o meu caminho de volta ainda se provou ser longo demais.
Enquanto por lá dissipávamos o tempo,
dir-se-ia que o velho Posídon estendia e ampliava o espaço.
Agora não sei onde estou, que lugar possa ser este.
Tem a aparência de uma vulgar ilha suja,
com arbustos, construções e grandes porcos a grunhir.
Um jardim de ervas daninhas, perto a rainha ou qualquer outra.
Relva e pedras enormes… Telémaco, meu filho!
Para um vagabundo todas as ilhas
se parecem umas com as outras. E as viagens na memória,
contar ondas; os olhos, inflamados dos horizontes do mar,
choram; e a força da água enche os ouvidos.
Não consigo lembrar-me de como a guerra surgiu,
mesmo de quantos anos tens ― não consigo lembrar-me.
Cresce, então, meu Telémaco, cresce forte.
Só os deuses sabem se voltaremos a ver-nos.
Há muito que deixaste de ser aquela criança
diante de quem eu guiava os bois com o arado.
Não tivesse sido a artimanha de Palamedes,
ainda viveríamos ambos sob o mesmo teto.
Mas talvez ele estivesse certo. Longe de mim
estás livre de todas as paixões de Édipo,
e os teus sonhos, meu Telémaco, são inocentes.

Joseph Brodsky, ex-URSS, Rússia (1940-1996), traduzido por Nuno Dempster.


3. Outros autores
Como referimos, a nossa base foi Homero. No entanto, são inúmeros os antigos e modernos autores que se apaixonaram por este tema. Não faria qualquer sentido elencálos, até porque podem ser encontrados após uma simples pesquisa na internet. No entanto, não resisto a lembrar Eurípedes (dramaturgo grego, 480 a.C. a 480 a.C.), referindo sobretudo Helena e Hécuba, e Heródoto (geógrafo e historiador grego, 484 a.C. a 485 a.C.) em Histórias.
Apenas lembrar que as epopeias de Homero serviram de inspiração, por exemplo, a Eneida de Virgílio e a Os Lusíadas de Luís de Camões.

4. No comments




5. Alguma webgrafia

A bela Helena de Troia

Helena – mito e realidade

O que é mais fascinante neste mito: Helena ou a história que a envolve?
Homero apenas terá desejado dar a conhecer Helena e a sua beleza?
Paradoxalmente ou não, Homero retrata uma personagem pungente e solitária de Helena em troia, que vive angustiada pelo desgosto e o remorso. No fim da guerra, os troianos começaram a odiá-la. Quando Hector morre às mãos de Aquiles, ela é uma das principais carpideiras no seu funeral.


Helena de Troia por Lord Frederik Leighton.

Pode, então, especular-se, colocando algumas questões/reflexões:
Helena, seduzida e apaixonada, aceitou livremente partir com Páris!
Supondo ser assim, Homero criou este acontecimento, considerando Helena  em que qualidade: deusa ou humana?
  • Como deusa, pode dizer-se que, sendo a causa da guerra, a torna numa deusa odiosa e odiada pelos gregos.
  • Como simplesmente mulher, é igualmente responsável pela guerra, embora odiada por irresponsabilidade e moralmente condenada.

Sendo simplesmente humana, tal condenação tornou-se cada vez mais necessária aos olhos dos gregos, que estavam a desenvolver uma moral pessoal.


Mythology: Helen of Troy, Granger.

Já como deusa, tudo era muito menos aceitável. A imoralidade dos mitos religiosos chocava mais do que a de seres humanos. Em algumas cidades, Esparta em particular, havia templos, cultos e festas dedicados a Helena, que a consideravam protetora das adolescentes e das jovens casadas.
Por isso, seria demasiado ignóbil se, em algum momento, ela se tivesse comportado como adúltera. Mesmo em seres humanos admirados, tal situação é inaceitável.
Seja qual for a interpretação, contém uma moralidade nada confortável.

Helena e a guerra de Troia.

Helena é sempre a mesma; nela nada muda, mas…
… à sua volta criou-se um movimento incessante de intrigas, traições, tendo sempre em vista quedas e ascensões ao poder.
Ao mesmo tempo, surgem heróis “verticais” que conhecem a morte, não apenas devido a essas traições, mas em nome de valores que defendem.
Será que Homero nos quis transmitir, sob a capa de uma beleza apenas digna de uma deusa, estas mensagens?

(continua - 7/8)


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A bela Helena de Troia

Helena – quem, como, onde

Do casal Helena/Páris nasceram vários filhos, embora nenhum sobrevivesse para lá da infância.
Páris morreu na guerra de Troia e Helena casou com o seu irmão, Deifobus. Após a vitória dos gregos, juntou-se novamente a Menelau, após ter sido, juntamente com Odisseus, cúmplice no assassinato de Deifobus.

Helena e Deifobus

Após vários anos, seguiram para Esparta. Conta-se que os deuses, zangados com o comportamento de Helena, enviaram tempestades que desviaram as embarcações para o Egito e para zonas próximas do Mar Mediterrâneo.
Chegados, finalmente a Esparta, o casal viveu (aparentemente) feliz, embora Menelau tivesse mantido sempre suspeitas relativamente aos sentimentos e à lealdade de Helena para com ele.
Algumas versões dizem que Helena ficou sempre em Esparta até morrer; outras referem a sua saída para a ilha de Rodes após a morte de Menelau.
É consensual a incerteza da sua existência e, caso afirmativo, quando e onde viveu e morreu, mas podem tecer-se algumas considerações:
  • Helena tinha pelo menos treze anos quando foi raptada por Teseus;
  • Helena podia ter casado com Menelau aos dezassete anos;
  • Helena esteve casada com Menelau durante um ano pelo menos, antes de partir para Troia, porque teve uma filha chamada Hermione;
  • Helena esteve em Troia durante dez anos, tendo portanto cerca de trinta quando a guerra terminou;
  • Telémaco (filho de Odisseu) viu Helena em Esparta dez anos depois do fim da Guerra de Troia, tendo portanto cerca de quarenta anos de idade.
Recorrendo a estes dados, e considerando que a Guerra de Troia aconteceu à volta de 1250 a.C., Helena deverá ter nascido em 1270 a.C. e vivido, no mínimo, até 1240 a.C..
É consensual que não se pode ter certezas se ela existiu e, caso afirmativo, quando e onde viveu e morreu, mas podem tecer-se algumas considerações:
  • Helena tinha pelo menos treze anos quando foi raptada por Teseus;
  • Helena podia ter casado com Menelau aos dezassete anos;
  • Helena esteve casada com Menelau durante um ano pelo menos, antes de partir para Troia, porque teve uma filha chamada Hermione;
  • Helena esteve em Troia durante dez anos, tendo portanto cerca de trinta quando a guerra terminou;
  • Telémaco (filho de Odisseu) viu Helena em Esparta dez anos depois do fim da Guerra de Troia, tendo portanto cerca de quarenta anos de idade.
Recorrendo a estes dados, e considerando que a Guerra de Troia aconteceu à volta de 1250 a.C., Helena deverá ter nascido em 1270 a.C. e vivido, no mínimo, até 1240 a.C..

Uma amostra do que resta

Muralhas de Troia (2005)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Troy1.jpg



Atualmente, já é consensual que a Guerra de Troia foi um dos primeiros e maiores e conflitos bélicos entre gregos e troianos, possivelmente ocorrido entre 1300 a.C. e 1200 a.C. (fim da Idade do Bronze). Isto também significa que, finalmente, os arqueólogos identificaram o local onde se situava Troia, hoje em terra turcas, Hissark, na Anatólia.

Escavações recentes em Troia. 2008.

(continua-6/8)




A bela Helena de Troia

Do conflito… um pouco mais

Aquiles, o herói, é considerado o mais poderoso dos guerreiros gregos. A ele se deve a morte de Hector, outro herói e poderoso guerreiro troiano. A força de vontade, tenacidade, determinação e velocidade fizeram dele mais lendário do que a própria lenda. Homero chamou-lhe πόδας ὠκὺς Ἀχιλλεύς ("Aquiles de pés rápidos").


Hector e Aquiles lutando

O cavalo de Troia
Não fazia sentido abordar este tema sem lhe fazer uma breve referência!
Terá sido um enorme cavalo de madeira usado pelos gregos. como estratagema decisivo para a conquista de Troia. Foi considerado pelos troianos como um símbolo da sua vitória, pelo que o levaram para dentro de muralhas, ignorando que no seu interior se ocultava o inimigo. À noite, os guerreiros saíram do cavalo, dominaram sentinelas e possibilitam a entrada do exército grego, levando a cidade à ruína.

Detalhe de um vaso de Mykonos com uma das mais antigas representações do Cavalo de Troia, séc. VIII a.C.
http://pt.wikipedia.org./wiki/Cavalo_de_Troia

O cavalo é considerado, em geral, uma criação lendária, embora seja possível que tenha realmente existido. Pode, mais provavelmente, ter sido uma verdadeira máquina de guerra transfigurada pela fantasia dos cronistas. Seja como for, revelou-se um motivo literário e artístico fértil, que, desde a Antiguidade, tem sido citado ou reproduzido vezes sem conta em poemas, romances, pinturas, esculturas, monumentos, filmes e de outras maneiras, incluindo caricaturas e brinquedos. A conhecida expressão idiomática "cavalo de Troia" significa um engodo, um "presente envenenado".


http://www.mitchellteachers.org/WorldHistory/AncientGreece/DiscoveringReferencesGreekMythology.htm

(continua - 5/8)

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Thunderbirds

The thunderbird myth is another of those legends that has been seized on by credulous people as being real
despite the obvious impossibility of such a large flying creature remaining hidden.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

A bela Helena de Troia

Conspirações, corrupção e traição

Quando Menelau regressou de Creta e soube as novidades, mostrou-se francamente vexado e desiludido (um romance havido com uma ninfa terá ajudado a amortecer o incidente). Contudo, Agamémnon estava furioso, não só porque a honra da sua família foi posta em causa, mas pessoalmente tomou o insulto como seu, pelo que decidiu ser o comandante das forças gregas que iriam atacar Troia. Suspeita-se que ele (também) estaria apaixonado pela sua cunhada. Entretanto, a primeira decisão tomada foi a ida de Menelau e Odisseus a Troia para exigir a Helena que voltasse.
Uma viagem em vão!
Deu-se, então, início aos preparativos para a guerra. Menelau chamou todos os chefes gregos que lhe tinham prometido apoio em caso de necessidade.
"Recovering a ship's anchor"- after Turner- Sand picture by Brian Pike
http://commons.wikimedia.org/wiki/File
Foi, assim, organizada uma enorme expedição a Troia, mas os mares estavam tão calmos devido à inexistência de vento que a partida se tornava impossível. Agamémnon vê-se “obrigado” a sacrificar sua filha Ifigénia à deusa Artemis para que cesse a calmaria que impede o embarque.
No entanto, a inesperada chegada de Clitemnestra em companhia da filha, Ifigénia, e a intervenção de Aquiles, alheio à intriga, complicam-lhe os planos. Clitemnestra faz várias tentativas dissuasoras junto do marido, embora sem sucesso. Lembra-lhe que Helena era “mulher perversa” e sobretudo avisa-o de que sacrificar Ifigénia é “comprar o que mais odiamos pelo que nos é mais querido”. Em vão…
O sacrifício estava a iniciar-se, com Ifigénia prestes a ser degolada e … ocorre uma misteriosa substituição de Ifigénia por uma corça. Sem se aperceber, Agamémnon confirma ter cumprido a promessa, pois os ventos começaram a soprar de feição e o exército inicia a partida.
O sacrifício de Ifigénia … e a corça!



A chegada da expedição à cidade marca o início da Guerra de Troia, que durou dez longos anos. Durante a guerra, as simpatias de Helena dividiram-se: tanto podia apoiar os troianos, como ignorar oportunidades para trair os gregos.
Battle Scenes, Ambrosian Iliad Pictures 20, 21.

(continua 4/8)