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sábado, 25 de janeiro de 2014

Lost Continents

The myths  about lost continents have fascinated people for centuries,nowadays though we have relegated such myths to occult pretenders and fringe religions

domingo, 12 de janeiro de 2014

Pandora e a sua caixa

Não é Helena, mas é seguramente um dos mitos que mais a(nos) acompanha...

Pandora, na mitologia grega, é uma divindade plena de talentos divinos e de todos os males da humanidadeÉ considerada a primeira mulher e, à semelhança de Eva nos mitos bíblicos, é criada para tentar e seduzir o Homem, com o objetivo de o destruir. Zeus ordenou aos deuses do Olimpo a sua criação para se vingar da humanidade, que tinha recebido de Prometeu (vidente, o que vê antes, previdente) o segredo do fogo, o que dava lhe dava a possibilidade de dominar o mundo e todos os seus habitantes. 
http://wastweetstudio.com/ss_Pandora.html

Zeus engendrou a sua vingança, ordenando a Hefestos que fizesse uma estátua de uma linda mulher, pôs-lhe o nome e ordenou a cada um dos deuses que lhe dessem um dos seus dons e que escolhessem um malefício para a humanidade e os depositassem numa caixa[i], que a donzela levaria em suas mãos, a Caixa de Pandora. Assim, o novo ser divino passou a ter muitos encantos. Por exemplo, de Afrodite a beleza, de Hermes a fala, de Apolo a música, de Atena umas mãos de "ouro", ... 
http://thesingularityprinciple.blogspot.pt/2010/08/pandoras-box.html

Então, Pandora desceu à Terra, conduzida por Hermes, e aproximou-se de Epitemeu (o que vê depois, inconsequente), irmão de Prometeu, com quem supostamente terá ter casado, e diante dele levantou a tampa da caixa. A humanidade que, até àquele momento, desconhecia doenças ou sofrimentos, passou a reconhecer e a ver-se assaltada por inúmeras desgraças. Felizmente, fechou a caixa rapidamente, sendo que a esperança, o único benefício nela presente, não saiu. 

A Caixa 
A famosa caixa seria o local onde Pandora guardava as suas lembranças, tornando-se prisioneira de uma delas, a tristeza de ter destruído o colar que Prometeu lhe dera aos nove anos. 
http://www.funnyjunk.com/Pandora/funny-pictures/4912625/

Seguindo esta mesma ideia, o recipiente estaria repleto de todas as desgraças que poderiam destruir a humanidade, tais como velhice, trabalho, doença, loucura, mentira, paixão, morte... Teria sido Epimeteu e não Pandora que, por curiosidade, abriu a caixa, provocando involuntariamente a libertação destes terríveis males. Apenas a esperança, único dom ali presente, permaneceu.
Outras versões apontam Epimeteu como o dono da caixa, que, hipnotizado pela beleza de Pandora, teria adormecido profundamente. Liberta dele, e com a curiosidade a persegui-la, ficou livre para desvendar o seu conteúdo tendo, assim,  terminado com chamada Idade de Ouro da Humanidade.
Outra versão associa a ‘Caixa de Pandora’ ao útero, representando assim o desejo de voltar ao seio materno, para nos protegermos e estarmos a salvo de todos os males presentes à nossa volta.
http://66.147.244.54/~flvsnet/wordpress/2011/09/01/pandora-eve-the-similarities-abound/

Há ainda quem a remeta para a "Montra", entendida como uma verdadeira caixa de surpresas. Ao vê-la, ficamos curiosos, chama-nos a atenção, desejamo-la, pelo que nem sempre resistimos ao desejo de a adquirir. Uma onda de esperança nos invade, assegurando-nos que aquela peça nos vai deixar mais belos, mais magros, mais novos, etc. Ou seja, montra e pandora contêm o mistério da esperança em algo melhor. 

Caixa de Pandora’ representará, pois, o desejo incomensurável do conhecimento desmedido do homem, sem limites, o mesmo que perpassa Adão e se concretiza no ato de Eva, com a consequente expulsão do Paraíso, ou seja, o pagamento de um preço exorbitante pela sede de ver sempre mais além.
http://66.147.244.54/~flvsnet/wordpress/2011/09/01/pandora-eve-the-similarities-abound/

Este mito é também revelador da presença feminina na Terra como a fonte de todas as aflições do Homem. Esta narrativa chegou-nos graças à obra Os Trabalhos e os Dias de Hesíodo, poeta grego do séc. VIII a.C.. Segundo ele, Pandora não é uma mulher má, mas um instrumento necessário e belo para a própria segurança da Humanidade, uma vez que fechou a caixa antes da esperança ser liberta, ou, segundo outras versões, impediu a ‘antecipação’ do Homem prever o seu sofrimento, que o transformaria em martírio eterno.

"The Box", filme de 2009, socorre-se de Eva e de Pandora. Três casais diferentes enfrentam uma caixa. Basta pressionar o botão, e é sempre a esposa a fazê-lo, para receber 1 milhão de dólares, mas simultaneamente alguém irá morrer. Embora o filme contenha outros temas simbólicos, a história e as semelhanças de Eva e de Pandora atravessam-no. A mulher é central: pressiona o botão, cai na tentação e é punida, uma vez que é responsabilizada por algo, a morte de alguém, numa alusão clara ao pecado ou ao mal daí decorrentes. O sr. Steward, o homem que lhes faz a oferta, representa Zeus em Pandora ou a serpente tentadora em Eva; ambos sabiam antecipadamente que ela(s) não resistiriam à tentação.

Veja mais em "5 Clips from the box"http://www.youtube.com/watch?v=_FjnXAccOCw

____________________
http://broomcloset.wordpress.com/2013/07/16/pandora-the-first-woman/
http://pandoraandeve.blogspot.pt/
http://mitologia.blogs.sapo.pt/49535.html



[i] as primeiras versões faziam alusão a um jarro e não a uma caixa. 




sábado, 4 de janeiro de 2014

Helena Blavatsky

Helena Petrovna Blavatsky (1831/1891), HPB entre os seus pares, foi escritora, filósofa, teóloga, nasceu na União Soviética, hoje Ucrânia, no seio da aristocracia, sendo a família da mãe uma das antigas e distintas do império russo, recheada de príncipes e de czares.
Desde criança revelou poderes psíquicos invulgares, foi desenvolvendo uma personalidade complexa e independente, gerando, além de inimigos e adversários, situações polémicas, devido a um comportamento muito desviado do convencional.
Estas características, associadas ao seu carisma, inteligência e entusiasmo, fizeram dela a responsável pela sistematização da moderna Teosofia o que a levou a ser uma das fundadoras da Sociedade Teosófica. 
Blavatsky surgiu numa época histórica em que a Religião estava a ser desacreditada pelo avanço da Ciência e da Tecnologia, que originaram o aparecimento de uma série de escolas associadas ao esoterismo, que iam ganhando um cada vez maior número de adeptos, devido ao fracasso do Cristianismo nas explicações para várias questões fundamentais da vida e acerca dos processos do mundo natural. Influenciou milhares de pessoas, desde o cidadão comum a políticos, líderes religiosos e artistas, dando origem a uma infinidade de seitas e de escolas de pensamento alternativo.
"no hay Religión más elevada que la Verdad" 
A contribuição de Blavatsky manifesta-se relevante com a reafirmação do divino, da globalização espiritual, oferecendo caminhos de diálogo com a Ciência e tentando expurgar a Religião institucionalizada dos seus erros seculares, através do combate ao dogmatismo e à superstição de todas as confissões, bem como incentivando a investigação científica, o pensamento independente e a crítica racional da fé cega.
Cedo viajou pelo mundo numa incessante busca de conhecimento filosófico, espiritual e esotérico. Alegou ter passado por inúmeras experiências do domínio do fantástico, entrando em contacto com vários mestres de sabedoria ou mahatmas, de quem dizia ter recebido conhecimento para desenvolver poderes paranormais, que a ajudassem na "evangelização" do mundo ocidental.

A partir de 1873, iniciou a sua carreira pública nos Estados Unidos e, em pouco tempo, já era uma figura tão adorada quanto controversa. Exibia os seus poderes psíquicos, deslumbrando muitos e deixando outros cépticos, que a acusaram com frequência de fraude e de charlatanismo, muitas vezes com evidências óbvias para tal.
Após algumas incursões no Espiritismo, Blavatsky recentrou os seus propósitos. Fundou, em maio de 1875, o grupo Miracle Club, no qual, a partir de um nível superior de inspiração, prestava informação sobre o mundo oculto, os mestres vivos de sabedoria e não as entidades desencarnadas comuns no plano astral. Foi, no entanto, um projeto fracassado.
As suas publicações abordam uma variedade de assuntos esotéricos, como Filosofia Hermética, Cabala, Magia Negra, Alquimia, Rosacrucianismo, ..., para além da revelação da existência de uma fraternidade oculta de Adeptos ou Mahatmas.
Ainda nos Estados Unidos, estabeleceu uma longa relação com Olcott, cofundador da Sociedade Teosófica. Sobre este projeto, escrevia: "Ela será composta de cabalistas e ocultistas eruditos, de filósofos herméticos do séc. XIX, e de egiptologistas em geral. Queremos fazer uma comparação experimental entre o Espiritismo e a Magia dos Antigos, seguindo literalmente as instruções dos antigos cabalistas, tanto judeus como egípcios. Ao longo de muitos anos tenho estudado a Filosofia Hermética na teoria e na prática e, a cada dia, estou mais convencida de que o Espiritismo nas suas manifestações físicas não é nada mais do que a Píton de Paracelso, ou seja, o éter intangível que Reichenbach chama de Od.
Blavatsky lutou contra todas as formas de intolerância e de preconceito, contra o materialismo e o cepticismo arrogantes da Ciência e pregou a fraternidade universal. Sem pretender criar uma nova religião, sem reivindicar a infalibilidade ou sem se considerar a autora de ideias que fazem "emergir para a luz", apresentou ao mundo ocidental uma síntese de conceitos, recursos, técnicas e interpretações de uma grande variedade de antigas e modernas fontes filosóficas, científicas e religiosas acerca do mundo, organizando-as num corpo de conhecimentos estruturado, lógico e coerente, que oferecia uma visão grandiosa e positiva do Universo e do Homem. Com isto e, apesar da crescente contestação, a Teosofia tornou-se um dos mais bem sucedidos sistemas de pensamento eclético da História recente, fazendo interagir formas antigas e novas e criando pontes entre mundos diferentes: sabedoria antiga e pragmatismo moderno, oriente e ocidente, sociedade tradicional e reformas sociais.
Na senda das contínuas investigações, em setembro de 1877, Blavatsky publicou Ísis sem Véuprimeira obra mais importante e também a mais popular. Em defesa das religiões antigas, recorre a um desenvolvimento histórico das ciências ocultas, da origem e natureza da Magia, das raízes dos Cristianismo, para dar uma perspetiva dos erros da teologia cristã e das falácias da Ciência Ortodoxa. Segundo Olcott,  esta obra esteve rodeada de circunstâncias peculiares, como uma "maravilhosa mudança psicofisiológica", passando o seu corpo a ser ocupado por diversos personagens eruditos, que lhe ditavam excertos do texto e lhe forneciam referências ou citações de obras que ela ignorava completamente. Estes factos também se repercutiram na escrita, surgindo caligrafias diferentes, que ela atribuía à influência de diversos mestres, que operavam através dela.Mudou-se e transferiu a "Sociedade" para a Índia, vivendo aqui até ver a sua reputação ferida de morte, quando foi acusada de fraude num relatório, publicado pela Sociedade de Pesquisas de Londres (Caso Coloumb).  
Das obras publicadas e, para além de Ísis sem Véu, destaca-se A Voz do Silêncio  e ainda uma referência muito especial a Doutrina Secreta, esta sem dúvida a mais relevante no plano ideológico. Através de uma síntese de História, Religião, Ciência e Filosofia, reúne toda a essência dos seus ensinamentos e a fundamentação doutrinária e ideológica da Teosofia, através de enunciados fundamentais, tais como:
* A existência de um Princípio omnipresente, eterno, ilimitado, imutável, insondável, impenetrável pela razão e para além do âmbito do próprio pensamento. É a realidade absoluta que existe antes e para além de toda a manifestação. sendo a causa eterna de todas as coisas, a sua fonte e o seu destino último.
* A eternidade do Universo in toto, como um plano ilimitado que se manifesta e se oculta em ciclos periódicos de Criação e de Destruição universais.
* A identidade fundamental de todas as almas individuais com a Alma Universal, que é um aspeto da Causa sem Causa.
* A existência de uma conexão perene entre o divino e o terreno.
Assim, a verdade última do cosmos supremo e da humanidade existe desde o começo dos começos; para além do mundo onde vivemos, existe um outro onde habitam os mestres - um reduzido número de seres que tudo sabem e tudo controlam.Helena Blavatsky: fraude, lenda, profeta...? a questão fica no ar!Ao consagrar a globalização espiritual, ao lutar pela ideia de unificação, reconhecendo embora a existência de caminhos diversos, ao criar o conceito de indivíduo como um viajante espiritual contínuo, é inquestionável ter desassossegado muitas mentes que não ficaram indiferentes.Certo é que, ainda hoje, persiste a imagem indelével de uma mulher plena de sabedoria e visionária, que buscava respostas para temas possivelmente tão velhos quanto a humanidade, mas, nem por isso, menos polémicos ou contraditórios!
"Uno de los efectos más preciosos de la misión de HPB fue la de impulsar a los hombres a estudiar por si mismos y destruir en ellos todo servilismo ciego, cualquiera que él sea y venga di donde vinere.
Mario Roso de Luna, teósofo, jornalista, escritor, ocultista e maçon espanhol 1872/1931.

Para melhor conhecer esta personalidade carismática ... 

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http://pt.wikipedia.org.wiki.Helena_Blavatsky
http://hinduism.enacademic.com/164/Blavatsky,_Helena_Petrovna
http://www.blavatskyarchives.com/9ndex.htm
http://www.theosophical.org/online-resources/online-books/1276

sábado, 14 de dezembro de 2013

Santa Helena


 Flavia Júlia Helena, mais tarde Santa Helena, nasceu na Britynia, Ásia Menor, por volta do século III, no seio de uma família plebeia. Constancius I Chlorus, tribuno e general romano, apaixonou-se e casou-se com ela pelos idos de 270. Tiveram um filho a quem deram o nome de Constantino. Por ordem do imperador Diocleciano, Helena foi repudiada pelo marido, uma vez que a lei romana não reconhecia o matrimónio celebrado entre um patrício e uma plebeia. Sendo considerada concubina, quando Constancius I Chlorus recebeu o título de Augusto, foi obrigado a abandoná-la, partindo para Roma com o filho, nascido em 285.
Após a morte do pai, em 306,  foi aclamado Augusto/César, tornando-se no imperador Constantino.
Helena saiu da situação dos últimos treze anos e, para além de Mulher Nobilíssima, recebeu em 324 o título de Augusta. Adquiriu poder e ajudou a financiar a construção da nova capital do império, Constantinopla.
Converteu-se ao cristianismo e foi responsável pela conversão do filho, que em 313 tinha mandado publicar o Édito de Milão, segundo o qual o cristianismo era tolerado como qualquer outra religião. Foi o primeiro passo para que, anos mais tarde, outro imperador, Teodósio, considerasse o cristianismo como religião oficial do Império Romano.
O grande fervor e fé religiosos de Helena traduziram-se em grandes obras de beneficência e na construção de várias templos e igrejas em Roma e na Terra Santa,  como a da Natividade em Belém e o Santo Sepulcro em Jerusalém, …
Já em idade avançada, talvez na última peregrinação à Terra Santa, terá tido visões, que a ajudaram a descobrir a cruz na qual Jesus foi crucificado. Reza a lenda que reencontrou o túmulo de Cristo escavado na rocha e, pouco distante, a cruz do Senhor e as duas cruzes dos ladrões. Levada pelo entusiasmo desse primeiro sucesso, continuou a procura, encontrando a gruta do nascimento de Jesus em Belém e o lugar no Monte das Oliveiras.
0 reencontro com a cruz, onde Cristo foi crucificado (Vera Cruz ou Cruz Verdadeira), aconteceu em 326 / 337 (??). Terá sido descoberta no Gólgota , produzindo grande emoção em toda cristandade. Em 337 foi confirmado ser mesmo a cruz, tendo Helena sido identificada pela tradição com esta descoberta em finais do século IV.
Helena faleceu em Constantinopla, pouco tempo depois de ter regressado desta peregrinação. Os seus restos mortais encontram-se num sarcófago no Museu do Vaticano. Na liturgia da igreja, Santa Helena é mostrada como uma imperatriz, segurando uma cruz.

Este vídeo é mais elucidativo sobre alguém com uma vida tão variada e em empreendimentos, decisões, milagres…

Santa Helena é um alfobre de lendas. Provavelmente, um pouco de verdade existe em algumas delas!!!   Para o Cristianismo e a sua divulgação, pouca importância terá distinguir a realidade da ficção!

domingo, 17 de novembro de 2013

A bela Helena de Troia

Em jeito de rodapé


1. Obras seguidas

Embora outras obras existam, a Ilíada e a Odisseia, de Homero, foram as nossas eleitas. 
A Ilíada decorre durante o nono ano da guerra de Troia e aborda, por exemplo, a ira de Aquiles, provocada por uma disputa com Agamémnon, seguida do duelo com Hector, acabando este por morrer. 
http://www.openlettersmonthly.com/book-review-the-Iliad


A Odisseia é, em parte, uma sequência da ilíada, e relata o regresso do seu protagonista, Odisseus (Ulisses na mitologia romana). 

http://www.ipm.com.br/ste/defaultasp?TroncoID=805133&SecaoID=816261Subsecao&Template=/artigosnoticias/user_exibir.aspID=261919

É a vida de um herói que inventa uma infinidade de estratagemas para conseguir destruir Troia, para sobreviver quando, depois, vagueia erraticamente pelo mundo, onde descobre novas cidades e novos costumes, para, finalmente, sobreviver no mar aos mil tormentos por que passa no seu regresso a casa. Curiosamente, ou talvez não, também decorrem dez anos até chegar a Ítaca, sua terra natal.
Ambas as epopeias viajaram ao longo dos séculos por tradição oral, tendo provavelmente sido passadas a escrito no séc. VIII a.C..


2. Poema de Odisseus a seu filhoTelémaco

Meu querido Telémaco,
A Guerra de Troia já findou.
Não recordo quem a venceu.
Os Gregos, sem dúvida, só eles deixariam
tantos mortos longe da pátria.
Mas o meu caminho de volta ainda se provou ser longo demais.
Enquanto por lá dissipávamos o tempo,
dir-se-ia que o velho Posídon estendia e ampliava o espaço.
Agora não sei onde estou, que lugar possa ser este.
Tem a aparência de uma vulgar ilha suja,
com arbustos, construções e grandes porcos a grunhir.
Um jardim de ervas daninhas, perto a rainha ou qualquer outra.
Relva e pedras enormes… Telémaco, meu filho!
Para um vagabundo todas as ilhas
se parecem umas com as outras. E as viagens na memória,
contar ondas; os olhos, inflamados dos horizontes do mar,
choram; e a força da água enche os ouvidos.
Não consigo lembrar-me de como a guerra surgiu,
mesmo de quantos anos tens ― não consigo lembrar-me.
Cresce, então, meu Telémaco, cresce forte.
Só os deuses sabem se voltaremos a ver-nos.
Há muito que deixaste de ser aquela criança
diante de quem eu guiava os bois com o arado.
Não tivesse sido a artimanha de Palamedes,
ainda viveríamos ambos sob o mesmo teto.
Mas talvez ele estivesse certo. Longe de mim
estás livre de todas as paixões de Édipo,
e os teus sonhos, meu Telémaco, são inocentes.

Joseph Brodsky, ex-URSS, Rússia (1940-1996), traduzido por Nuno Dempster.


3. Outros autores
Como referimos, a nossa base foi Homero. No entanto, são inúmeros os antigos e modernos autores que se apaixonaram por este tema. Não faria qualquer sentido elencálos, até porque podem ser encontrados após uma simples pesquisa na internet. No entanto, não resisto a lembrar Eurípedes (dramaturgo grego, 480 a.C. a 480 a.C.), referindo sobretudo Helena e Hécuba, e Heródoto (geógrafo e historiador grego, 484 a.C. a 485 a.C.) em Histórias.
Apenas lembrar que as epopeias de Homero serviram de inspiração, por exemplo, a Eneida de Virgílio e a Os Lusíadas de Luís de Camões.

4. No comments




5. Alguma webgrafia

A bela Helena de Troia

Helena – mito e realidade

O que é mais fascinante neste mito: Helena ou a história que a envolve?
Homero apenas terá desejado dar a conhecer Helena e a sua beleza?
Paradoxalmente ou não, Homero retrata uma personagem pungente e solitária de Helena em troia, que vive angustiada pelo desgosto e o remorso. No fim da guerra, os troianos começaram a odiá-la. Quando Hector morre às mãos de Aquiles, ela é uma das principais carpideiras no seu funeral.


Helena de Troia por Lord Frederik Leighton.

Pode, então, especular-se, colocando algumas questões/reflexões:
Helena, seduzida e apaixonada, aceitou livremente partir com Páris!
Supondo ser assim, Homero criou este acontecimento, considerando Helena  em que qualidade: deusa ou humana?
  • Como deusa, pode dizer-se que, sendo a causa da guerra, a torna numa deusa odiosa e odiada pelos gregos.
  • Como simplesmente mulher, é igualmente responsável pela guerra, embora odiada por irresponsabilidade e moralmente condenada.

Sendo simplesmente humana, tal condenação tornou-se cada vez mais necessária aos olhos dos gregos, que estavam a desenvolver uma moral pessoal.


Mythology: Helen of Troy, Granger.

Já como deusa, tudo era muito menos aceitável. A imoralidade dos mitos religiosos chocava mais do que a de seres humanos. Em algumas cidades, Esparta em particular, havia templos, cultos e festas dedicados a Helena, que a consideravam protetora das adolescentes e das jovens casadas.
Por isso, seria demasiado ignóbil se, em algum momento, ela se tivesse comportado como adúltera. Mesmo em seres humanos admirados, tal situação é inaceitável.
Seja qual for a interpretação, contém uma moralidade nada confortável.

Helena e a guerra de Troia.

Helena é sempre a mesma; nela nada muda, mas…
… à sua volta criou-se um movimento incessante de intrigas, traições, tendo sempre em vista quedas e ascensões ao poder.
Ao mesmo tempo, surgem heróis “verticais” que conhecem a morte, não apenas devido a essas traições, mas em nome de valores que defendem.
Será que Homero nos quis transmitir, sob a capa de uma beleza apenas digna de uma deusa, estas mensagens?

(continua - 7/8)


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A bela Helena de Troia

Helena – quem, como, onde

Do casal Helena/Páris nasceram vários filhos, embora nenhum sobrevivesse para lá da infância.
Páris morreu na guerra de Troia e Helena casou com o seu irmão, Deifobus. Após a vitória dos gregos, juntou-se novamente a Menelau, após ter sido, juntamente com Odisseus, cúmplice no assassinato de Deifobus.

Helena e Deifobus

Após vários anos, seguiram para Esparta. Conta-se que os deuses, zangados com o comportamento de Helena, enviaram tempestades que desviaram as embarcações para o Egito e para zonas próximas do Mar Mediterrâneo.
Chegados, finalmente a Esparta, o casal viveu (aparentemente) feliz, embora Menelau tivesse mantido sempre suspeitas relativamente aos sentimentos e à lealdade de Helena para com ele.
Algumas versões dizem que Helena ficou sempre em Esparta até morrer; outras referem a sua saída para a ilha de Rodes após a morte de Menelau.
É consensual a incerteza da sua existência e, caso afirmativo, quando e onde viveu e morreu, mas podem tecer-se algumas considerações:
  • Helena tinha pelo menos treze anos quando foi raptada por Teseus;
  • Helena podia ter casado com Menelau aos dezassete anos;
  • Helena esteve casada com Menelau durante um ano pelo menos, antes de partir para Troia, porque teve uma filha chamada Hermione;
  • Helena esteve em Troia durante dez anos, tendo portanto cerca de trinta quando a guerra terminou;
  • Telémaco (filho de Odisseu) viu Helena em Esparta dez anos depois do fim da Guerra de Troia, tendo portanto cerca de quarenta anos de idade.
Recorrendo a estes dados, e considerando que a Guerra de Troia aconteceu à volta de 1250 a.C., Helena deverá ter nascido em 1270 a.C. e vivido, no mínimo, até 1240 a.C..
É consensual que não se pode ter certezas se ela existiu e, caso afirmativo, quando e onde viveu e morreu, mas podem tecer-se algumas considerações:
  • Helena tinha pelo menos treze anos quando foi raptada por Teseus;
  • Helena podia ter casado com Menelau aos dezassete anos;
  • Helena esteve casada com Menelau durante um ano pelo menos, antes de partir para Troia, porque teve uma filha chamada Hermione;
  • Helena esteve em Troia durante dez anos, tendo portanto cerca de trinta quando a guerra terminou;
  • Telémaco (filho de Odisseu) viu Helena em Esparta dez anos depois do fim da Guerra de Troia, tendo portanto cerca de quarenta anos de idade.
Recorrendo a estes dados, e considerando que a Guerra de Troia aconteceu à volta de 1250 a.C., Helena deverá ter nascido em 1270 a.C. e vivido, no mínimo, até 1240 a.C..

Uma amostra do que resta

Muralhas de Troia (2005)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Troy1.jpg



Atualmente, já é consensual que a Guerra de Troia foi um dos primeiros e maiores e conflitos bélicos entre gregos e troianos, possivelmente ocorrido entre 1300 a.C. e 1200 a.C. (fim da Idade do Bronze). Isto também significa que, finalmente, os arqueólogos identificaram o local onde se situava Troia, hoje em terra turcas, Hissark, na Anatólia.

Escavações recentes em Troia. 2008.

(continua-6/8)